Dengue: faça sua parte!

Se em 2024 as condições meteorológicas colaboraram para o pior cenário epidemiológico da história, os primeiros meses de 2025 sugerem uma situação ainda mais preocupante, agravada pela circulação do sorotipo 3 e pela baixa adesão à vacinação por parte do público-alvo. Veja como se prevenir e combater o mosquito transmissor da Dengue.

A incidência da doença no país em 2024 foi de mais de 3 mil casos para cada 100 mil habitantes, quatro vezes maior do que em 2023, com o Distrito Federal aparecendo em primeiro lugar, seguido por Minas, Paraná e São Paulo.
Nos primeiros meses de 2025, o número de casos de dengue no Brasil já preocupa gestores e profissionais de saúde pública de todo o país. Desde o início de janeiro, já foram registrados mais de 140 mil casos, com 52 óbitos, e outros 256 estão em investigação.
São Paulo é o estado com maior número de vítimas, com cerca de 70% das mortes – 36 óbitos e 193 sob investigação. Esses números são preocupantes, pois se aproximam bastante dos registrados no ano mesmo período do ano anterior, sendo que em algumas regiões até superam.
Se no ano de 2024, pior resultado histórico da dengue no Brasil, de acordo com o Painel de Monitoramento de Arboviroses, serviço de acompanhamento do Ministério da Saúde que monitora e atualiza dados da dengue, zika, chikungunya e febre oropouche, ocorreram mais de 6,6 milhões de casos prováveis de dengue e mais de 6 mil óbitos, neste ano dois fatores podem ser ainda mais críticos para o combate e prevenção da doença: a baixa vacinação e um novo sorotipo do vírus.

A circulação do sorotipo 3, uma das quatro variações do vírus da dengue, é relevante porque a imunidade do indivíduo para a dengue é sorodependente. Ou seja, a pessoa que teve dengue causada pelo sorotipo 1, por exemplo, ganha imunidade apenas contra esse sorotipo. Tendo em vista que nos últimos anos os principais sorotipos circulantes no estado foram o 1 e o 2, a imensa maioria da população não tem imunidade contra o sorotipo 3.
No quesito vacinação enfrentamos dois outros desafios: escassez de doses e baixa adesão da população.
O Ministério da Saúde tem adquirido lotes da vacina Qdenga, contra a dengue, mas a baixa capacidade de produção do laboratório do Japão, obrigou os técnicos do ministério a restringirem a imunização apenas à população entre 10 e 14 anos, um dos grupos mais vulneráveis para a doença, e a 1.900 municípios com mais de cem mil habitantes em que a dengue tem sido mais frequente nos últimos anos.
Apesar da aquisição do imunizante, a campanha de vacinação ainda não decolou junto à população. Em São Paulo, apenas 11% do público-alvo recebeu a segunda dose, que garante a imunização completa contra a doença.
A baixa adesão à vacinação motivou manifestação por meio de nota pública da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), alertando que apenas 53% das doses distribuídas pelo Ministério da Saúde para todo o Brasil desde fevereiro do ano passado foram aplicadas. A nota destaca ainda que 59% dos que receberam a primeira dose não retornaram para receber o reforço.
Apesar da baixa taxa de vacinação, boa parte da solução destes problemas são as ações da população na prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, Chikungunya e o Zika vírus, com cuidados individuais e na eliminação de focos de possíveis criadouros do mosquito.

O foco do trabalho para evitar a proliferação do mosquito está em eliminar pontos onde haja água armazenada, locais que podem se tornar possíveis criadouros, como em vasos de plantas, lagões de água, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção, e até mesmo em recipientes pequenos, como tampas de garrafas.
Ainda na questão da prevenção, é recomendável o uso de roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia, quando os mosquitos são mais ativos, criando alguma proteção contra as picadas, ou até mesmo o uso de repelentes e inseticidas, sempre observando as recomendações e cuidados na aplicação exibidos nos rótulos.
Mosquiteiros também são uma boa medida de proteção, principalmente, para aqueles que dormem durante o dia, como bebês, pessoas acamadas e trabalhadores noturnos.
Não descuide da limpeza frequente dos recipientes de água, pelo menos uma vez por semana, fazendo uma boa higiene com água e sabão. Não esqueça de inspecionar e limpar as calhas e ralos, evitando que fiquem entupidos, vasilhas dos bichos de estimação e outros locais onde a água possa se acumular.
Faça sua parte! Proteja-se e proteja seus familiares. Dengue pode matar.